Psicóloga Poliana Derossi fala sobre Outubro Rosa e trabalho no Hospital Araújo Jorge

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O Conselho Regional de Psicologia 9ª Região Goiás (CRP-09) considera relevante iniciativas como a campanha Outubro Rosa, empenhada pela Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG), que busca conscientizar a população sobre a importância da prevenção e luta contra o câncer de mama. A campanha deste ano utilizou o conceito do empoderamento da mulher, com o tema “Câncer de mama: empoderamento feminino e superação”.

Para falar sobre a campanha e também sobre o trabalho da Psicologia no Hospital Araújo Jorge, o Portal CRP-09 convidou a psicóloga organizacional da instituição, Poliana Derossi.

Confira:

A campanha Outubro Rosa 2017 trabalhou o empoderamento feminino. De onde partiu essa ideia? Qual o objetivo?

Foi interessante a forma como veio a campanha e, enquanto Recursos Humanos, ficamos bem entusiasmados, porque trouxe várias formas de empoderamento, para quebrar realmente alguns paradigmas e estereótipos sociais que sabemos que existem. Então, nós temos na campanha uma mulher que não tem um corpo tão dentro dos padrões de beleza, nós temos uma mulher negra, nós temos uma mulher que se empodera de todas as formas, e se responsabiliza. Eu acredito que é isso o empoderamento, se responsabilizar pelo que é e realmente dar conta da vida com esse ser. Essa mulher tem o poder de se cuidar. A campanha nasceu da vontade de mostrar para a mulher que ela tem o poder de se tocar e de se conhecer. A campanha estimula a mulher a fazer o autoexame e a mamografia, porque muitas não querem nem fazer por achar que o exame causa dor. E o (Hospital) Araújo Jorge não poderia ficar de fora. Nós trabalhamos com pacientes com o câncer, não só depois de instalado, mas também com a prevenção. Essa conscientização mostra para a mulher que está nas mãos dela também.

De que forma a campanha Outubro Rosa pode contribuir efetivamente para os tratamentos de câncer?

É informação que chega às pessoas e quebra alguns paradigmas que realmente existem. A mulher socialmente vem de algumas questões que precisam ser pensada. Nós temos tomado conta de um espaço novo, que é novo para nós também, enquanto mulheres. Algumas coisas precisam ser pensadas mesmo de como poder fazer. A campanha ajuda porque leva informação, conscientiza realmente do que pode ser feito, do que não pode ser feito, e de como fazer. Orienta também a essa mulher se conscientizar desse corpo e se apoderar desse corpo, e se responsabilizar.

Durante o tratamento do câncer, qual a maior preocupação dos profissionais da Saúde com a paciente?

Eles têm uma preocupação muito grande em atender bem, dar o melhor. Eliminar o maior número de riscos para que a paciente seja bem atendida. Sabemos que em todo o tratamento, e em qualquer tipo de doença, há limitações. Cada vez que recebemos os colaboradores no RH, percebemos que em alguns momentos eles também são envolvidos nesse processo de felicidade ou de tristeza. Há, então, essa relação com alguns lutos e vínculos com os pacientes. Nós temos pacientes que ficam aqui muito tempo, que vão e voltam, então alguns vínculos mais fortes são estabelecidos. Em um processo de partida, se podemos falar dessa forma, tem um sofrimento também que fica, tem um luto, tem um vínculo que foi estabelecido, que precisa ser finalizado, pensado, repensado, para dar um norte para que não demande tanta energia desse colaborador na hora do cuidar.

O tratamento do câncer muitas vezes inclui remédios que provocam efeitos colaterais. Como é feito o apoio às mulheres que enfrentam a doença?

Nós temos trabalhos, não só na Psicologia, mas com o grupo de voluntariados também. Tem atendimento (da Psicologia) individual, tem acompanhamento com família, entre outros. Há um acompanhamento sempre que solicitado. Não são todos que passam por aqui que tem um acompanhamento psicológico, mas em alguns casos específicos, que é necessário, o médico solicita, a equipe (multidisciplinar) solicita, e a Psicologia está lá para acompanhar todos os momentos. O momento do diagnóstico às vezes é bem complicado. Da aceitação e adesão a esse tratamento. Infelizmente eu já compartilhei de casos que não aderiram ao tratamento e deixou acontecer, por um medo, por talvez uma falta de informação. Porque o nosso público, a grande maioria é do SUS, às vezes de uma escolaridade que não teve tanto acesso. Então, tentamos realmente fazer com que essa informação chegue da melhor forma possível. Tem o programa “Começar Bem”, que é feito pela Psicologia, que é um trabalho lindo, e junto com uma equipe multidisciplinar que passa todas as orientações sobre o que pode ser sentido durante o tratamento, o que é normal, o que vai acontecer, o que não vai. Para diminuir as ansiedades e para que o paciente entenda que faz parte do tratamento. Que o resultado final pode ser positivo, mas no decorrer do caminho, ele pode ser meio tortuoso. Vai gerar um sofrimento para todos.

O câncer de mama ainda é um assunto velado entre as pacientes que recebem o diagnóstico?

Essa questão não faz parte da minha vivência, mas o que eu percebo que dependendo da escolaridade e da idade tem ainda uma dificuldade de falar “estou com câncer”. Têm uns paradigmas que vieram caminhando, que perduram até hoje, de que “não posso falar o nome dessa doença que eu estou”. Quando se fala “câncer”, associa-se diretamente com morte ainda.

É feito algum trabalho entre os trabalhadores da Saúde em relação à conscientização do cuidado com a própria saúde? Se sim, como é feito?

Em todo mês de outubro, nós disponibilizamos cerca de 800 mamografias que são distribuídas internamente. Todas as nossas colaboradoras têm acesso. Acaba que não só as colaboradoras, mas às vezes a esposa de um colaborador. É feito esse processo preventivo. Além desses trabalhos que são feitos, nós temos muitos treinamentos na área de segurança e medicina do trabalho. Vamos até o colaborador falar sobre saúde, pois a segurança e a saúde dependem muito dele, do seu cuidado no dia-a-dia do trabalho, e dessa atenção mesmo com ele. É uma conversa diária. Todo o tempo a área de Recursos Humanos tem se preocupado com essa saúde do colaborador.

De que forma Psicologia Organizacional pode contribuir para o bem-estar dos pacientes do hospital, de forma indireta, ao atuar com o profissional da Saúde?

Na área de Recursos Humanos, nós temos usado bastante o “cuidando de quem cuida”. Nós precisamos realmente de colaboradores que preste atenção neles para que possam fazer um atendimento melhor. Se o colaborador ou a colaboradora está bem consigo, provavelmente a paciente será bem atendida, com mais atenção. A partir disso, nós temos gerado algumas ações, como os treinamentos junto às lideranças. E também processos de reconhecimento como, por exemplo, desejar parabéns pela sua profissão. Nós vamos até esse profissional para fazer uma troca. Dizer um “obrigado” pelo que está sendo feito, pelo tempo que ele tem disponibilizado dentro da instituição, gerando essa cultura de reconhecimento e de gratidão. Então, as lideranças têm colaborado bastante para o desenvolvimento desse ambiente de gratidão e de cuidado, que faz parte dos nossos valores.

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