Entrevista: psicóloga Nicéa Maria Ferreira Ribeiro - Psicologia em Aldeias

 

A psicóloga Nicéa Maria Ferreira Ribeiro atua em aldeias indígenas há 12 anos. Em entrevista ao site do CRP-09, ela conta um pouco do seu trabalho com os índios e fala sobre o perfil do profissional que deseja atuar nesta área.

Confira:

A senhora atua como psicóloga em aldeias indígenas há 12 anos. Como foi a sua primeira vivência entre os índios?

Primeiro busquei conhecer bem sobre a cultura indígena em geral e, depois, conhecer profundamente a cultura da aldeia onde eu comecei a minha história com a psicologia e depois com a acupuntura. Procurei sem sucesso os órgãos aptos à liberação da minha presença na aldeia. Como eu solucionei este problema? Sem apoio dos órgãos responsáveis pela proteção dos índios nas aldeias, fui atrás de conhecer o cacique sendo este autoridade máxima da aldeia.

Na época lembro que fui muito bem investigada, não só pelo cacique, mais também pela comunidade, pois as decisões em algumas aldeias são tomadas em coletivo. Depois de um certo tempo, eles entraram em contato e liberaram minha ida à aldeia e assim começou toda minha história.

Na primeira vez que fui conhecer uma aldeia, eu iria passar 15 dias. A princípio, conhecia três pessoas (Waxiaki e Terraluna ? ambos conheci em um evento em Palmas e eles foram as pessoas que me colocaram em contato com o cacique). Ao chegar à aldeia, fui levada para conhecer pessoalmente o cacique e sua família. Conversamos bastante e logo fui autorizada a executar algumas pequenas contribuições neste período que fiquei na aldeia Santa Izabel do Morro, na divisa do Tocantins com o Mato Grosso. Percebi que desde o primeiro instante já tinha se formado um vínculo de confiança entre nós. A Aldeia tinha uma população, na época, de 716 pessoas, a grande maioria crianças. Assim, fazem 12 anos de convivência em aldeias.

Quais são as principais demandas que um psicólogo pode ajudar a atender numa aldeia indígena?

O psicólogo pode contribuir na construção de um espaço onde aconteça um diálogo recíproco, uma escuta individual ou em grupo no campo da comunicação, por vezes difícil, entre os indígenas e as equipes não-indígenas.

No meu caso, tive oportunidade de reunir jovens e adultos para orientar sobre HPV, HIV, gravidez, drogas, saúde pública e acupuntura. No atendimento com acupuntura, atendi indígenas com dores musculares, dores de cabeça, pressão arterial, gripe, febre, tabagismo e outras drogas, como o álcool.

Qual o perfil de um profissional da Psicologia para atuar em aldeias?

O profissional deve acima de tudo ser comprometido com seu trabalho e gostar de viver em aldeias. Precisa ter muita determinação, é necessário gostar de índios, querer aprender e compartilhar conhecimentos com os mesmos. Trabalhar em aldeias indígenas é de uma gratificação inexplicável.

O que mais te impressionou, enquanto psicóloga, durante a sua atuação em aldeias?

Tudo nos indígenas me interessa. A cultura é magnífica (os ritos tradicionais, a partilha de conhecimentos com os anciões, o artesanato, a língua falada em cada aldeia, as ervas e sua serventia etc).

Como é estabelecer uma relação de confiança com os índios?

Para estabelecer uma relação de confiança com os índios se faz necessário ser verdadeiro, ter espírito de coletividade, muito respeito pela cultura deles e saber porque querem formar esse vínculo.

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