Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ expõe luta diária por sociedade sem preconceitos e reforça papel central da Psicologia por mais aceitação

banner siteNesta terça-feira, 28 de junho, celebramos o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, como uma homenagem à luta histórica pela igualdade de direitos e ao combate à discriminação e à violência contra pessoas homossexuais, bissexuais, transexuais e todas aquelas que se reconhecem com outras identidades lidas como cis-hetero-divergentes. A data é uma referência à chamada Revolta de Stonewall, quando neste dia, em 1969, pessoas da comunidade LGBTQIA+ se revoltaram contra a violência institucionalizada cometida pela polícia de Nova York.

A palavra "orgulho" foi adotada pelos movimentos civis e pela militância por direitos humanos como um contraponto ao sentimento de "vergonha" imposto pelo preconceito estrutural existente em nossa sociedade. Para a psicóloga Alice de Alencar Arraes Canuto (CRP 09/10584), o orgulho é imprescindível em uma sociedade que está constantemente reproduzindo discursos homofóbicos e estimulando diversas formas de violência contra pessoas LGBTQIA+.

“A melhor definição de orgulho que eu já li é a seguinte: ‘Orgulho é quando eu me recuso a sentir vergonha da vergonha que o outro sente de mim’. Acho essa definição fantástica para nos mostrar que o orgulho é justamente o ato de confrontar a necessidade de se policiar em relação ao que as outras pessoas vão pensar sobre você. Quando a pessoa consegue desenvolver a autoestima, a ponto de estar firme o suficiente para sentir orgulho de si mesma e de quem ela é, mesmo diante de uma sociedade que grita o tempo todo que ela é doente, isso é algo fantástico. É uma revolução. Encher o peito e dizer que não há nada errado com você, que você se ama do jeito que é, se torna então um ato revolucionário”, expressa Alice.

Para a psicóloga, o cenário de violências cotidianas ao qual estão submetidas as populações LGBTQIA+ justifica a existência de uma data para celebrar conquistas e relembrar momentos cruciais de uma longa trajetória de lutas e enfrentamentos. Alice ressalta que outra consequência importante do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ e da campanha existente ao longo de todo o mês de junho é dar mais visibilidade à causa e chamar a atenção de toda a sociedade para os índices alarmantes de violência praticada contra a comunidade.

"Orgulho é algo extremamente importante para uma pessoa LGBTQIA+, pensando que vivemos em um mundo extremamente homofóbico, no qual a homossexualidade ainda é considerada crime em 70 países – alguns deles inclusive com punição de pena de morte. Isso nos deixa em alerta constante. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, em pesquisa de 2019, ocorre uma morte por homofobia a cada 23 horas no Brasil. Nosso país também é o que mais mata pessoas travestis e transexuais no mundo. E ao mesmo tempo, ironicamente, é o país que mais consome pornografia trans e travesti. Este dado mostra uma contradição e escancara como as pessoas ainda têm dificuldade em lidar com as identidades e demais questões de gênero. Temos atualmente um presidente que já se declarou por diversas vezes escancaradamente homofóbico. Sabemos que o discurso também mata, porque incentiva e permite que as violências aconteçam – tanto a violência psicológica quanto a física. Dessa forma, é muito importante termos, além da nossa luta diária, que acontece o ano todo, um mês de visibilidade, que é um momento de alerta, mas também de celebração e de reconhecimento pelas nossas conquistas”, afirma a psicóloga.

Alice Canuto também destaca o relevante papel da Psicologia na busca por uma sociedade cada vez menos homofóbica e violenta em relação à LGBTQIA+. Ela destaca um estudo realizado nos Estados Unidos que identificou que 8% dos homens e 13% das mulheres heterossexuais têm algum tipo de ideação suicida, enquanto em homens e mulheres da população LGBTQIA+, essas taxas se elevam para 36% e 42%, respectivamente. Estima-se que 20% da população LGBT adulta já tentaram suicídio ao menos uma vez na vida. O impacto de ser LGBTQIA+ sobre a saúde mental pode variar em ambientes com diferentes níveis de suporte, aceitação, pré-julgamento, preconceito e discriminação, e a conexão com a comunidade exerce um papel fundamental na proteção dos indivíduos. Por isso, Alice destaca que a Psicologia é fundamental por lidar diretamente com a subjetividade e a saúde mental.

“A cada 40 segundos, ocorre um suicídio em algum lugar do planeta. Estima-se que o suicídio seja a segunda causa de mortes atualmente entre jovens de 15 a 29 anos. E, quando fazemos um recorte da população LGBTQIA+, esse número fica ainda mais expressivo. Os estudos demonstram que os jovens LGBTQIA+ apresentam taxas significativamente mais altas de depressão do que os jovens que não fazem parte da comunidade. Hoje, temos dados alarmantes em relação à existência de clínicas e terapias que propõem a "cura gay". No Brasil, esse tipo de prática não é permitida, e o Conselho Federal de Psicologia (CFP) já determinou, por meio da Resolução n.º 001/99, que é inclusive muito elogiada e reconhecida mundialmente, que psicólogas e psicólogos não devem ser coniventes com nenhum tipo de tratamento ou terapia de conversão. Não existe nenhum estudo científico legitimando essas terapias de reversão. O foco não deve ser em relação à orientação sexual das pessoas, mas sim à homofobia. O que pode incomodar tanto uma pessoa em relação à vida conjugal ou afetiva de outra pessoa, algo que não diz respeito a ninguém? A Psicologia precisa reconhecer que ocupa um lugar muito importante quanto ao tipo de discurso que utilizamos e como lidamos com essas questões na clínica”, ressalta Alice.

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